terça-feira, novembro 14, 2006

O fim da Dom Vital

A crise financeira se arrastou por quase um ano, até que a Dom Vital encerrou suas atividades de maneira melancólica, com saques e depredação do prédio da Marginal Tietê. Abaixo uma matéria que saiu no Jornal do Commercio de Recife(PE) em 30 de agosto de 1998:

Crise pára a transportadora Dom Vital
por ALEX GOMES
Uma das maiores empresas de transportes de carga do País, fundada em Pernambuco, com patrimônio avaliado em R$ 24 milhões no balanço de 96, está em crise, diante de clientes perplexos e da revolta dos funcionários. A Dom Vital, com 43 anos de atividades, está há dois meses sem movimentar uma só carga entre as capitais onde mantém representantes e tem contra ela, só no Tribunal Regional do Trabalho, em Pernambuco, 115 ações judiciais de funcionários, com pedidos de indenização. Dos 115 processos, 45 começaram este ano e apenas um foi solucionado.
A nova sede da empresa, em São Paulo, uma área de 220 mil metros quadrados na Vila Maria, de acordo com informações de vizinhos, foi invadida por moradores de uma favela próxima, depois que os funcionários retiraram máquinas e estoques de material de trabalho. A mesma situação de abandono acontece na sede pernambucana, na Rua Imperial, onde os 24 mil metros quadrados estão vazios, e os últimos funcionários, há quatro meses sem pagamentos, permanecem tomando conta do patrimônio, única chance de receberem seus proventos atrasados e indenizações.
No balanço de 96, a receita operacional da empresa foi de R$ 90 milhões, contra R$ 78 milhões, em 95. Mesmo assim, o patrimônio líquido caiu de R$ 28 milhões em 95, para R$ 24 milhões em 96. E o prejuízo operacional subiu de R$ 1,6 milhões em 95, para R$ 4,5 milhões, em 96. A rentabilidade negativa sobre o patrimônio foi de 18% em 96, e o volume de endividamento em 45% sobre o patrimônio, também em 96.
"Foi uma questão de família e um passo maior que as pernas, na construção de uma imensa sede em São Paulo, num momento de retração e renovação de estratégias no setor de transportes", diz uma fonte da área de transportes, que prefere não se identificar. O fundador da Dom Vital, o empresário pernambucano João de Deus Ribeiro, evita falar dos detalhes que levaram a Dom Vital à atual situação. Ele nega que seja sócio da empresa hoje, o contrário do que dizem funcionários e clientes consultados pela reportagem. "Vendi minhas cotas em 95, entreguei meu cargo de direção e a empresa ia muito bem até então. Isso é tudo que posso dizer hoje", revelou João de Deus.


Esta outra matéria, saiu no dia seguinte dia 31 de agosto de 1998:

Funcionários lamentam problemas
O empresário pernambucano Luís Guilherme de Lucena, representante no Recife da fábrica paulista Tojo, de amplificadores para carros, perdeu R$ 3,9 mil com 20 amplificadores extraviados, uma encomenda que não foi honrada pelo seguro de carga, cobrado pela empresa, no mês de julho último. "Não há mais ninguém para reclamar, nem para ser acionado pela Justiça. Está tudo abandonado", confirma o representante.
"É incrível como no ano passado a Dom Vital ainda gozava do prestígio de maior transportadora do Estado, e talvez a maior do País. Não foi por outro motivo que fui cliente por quatro anos", revela o comerciante José Maria Pessoa, da Zezo Equipadora, um dos cinco clientes da Dom Vital na vizinhança da Rua Imperial. "Os atrasos de entrega começaram em novembro do ano passado, e em janeiro deste ano, comecei a procurar outras transportadoras", diz José Maria.
Fernando Kitawara, gerente de transportes da Wurt, fábrica de peças de fixação para som de carros, conta que tem uma carga retida, de R$ 7 mil, na sede de São Paulo, vizinha à casa onde mora. Ele vê, todo dia, os favelados construindo barracos no imenso terreno onde antes haviam dezenas de caminhões com a marca Dom Vital, em preto e vermelho.
"Saquearam tudo. E os caminhões sumiram. Não temos esperança de recuperar nossa carga, ou o valor pago pelo transporte. Mas demos sorte, há pendências na Justiça de São Paulo de até R$ 70 mil", conta. A Wurt foi cliente da Dom Vital por oito anos.
Dentro da empresa, duas funcionárias distribuem cartas de recomendação diariamente para os funcionários sem salário batalharem outro emprego. O nome Dom Vital ajuda. Mas a revolta com a situação da empresa que seria o futuro garantido de todos os 181 funcionários da sede no Recife, enche de silêncio a única sala aberta no prédio da Rua Imperial, a sala do departamento pessoal.
Fora do prédio, Antônio da Luz, evangélico, com 38 anos de empresa, diz apenas que estava aposentado e atendeu um pedido pessoal do patrão João de Deus, para voltar à atividade de conferente de cargas, há 3 anos. "Acho que acabou tudo, meu filho", lamenta.

2 comentários:

Unknown disse...

A casa caiu 2014 e ninguém viu a cor do dinheiro.

Unknown disse...

A casa caiu, estamos em 2014 e ninguém recebeu nada.